O surpreendente estilo Dilma de governar

Dilma Rousseff vem surpreendendo, positivamente, no exercício da Presidência da República.

As recentes medidas de combate aos juros elevados, bem como, aos altos spreads bancários são dignas de aplausos. Há muito o país necessitava que alguém empunhasse essas bandeiras e fizesse, efetivamente, alguma coisa. Seus antecessores faziam muito discurso e nenhuma ação.

Dilma compreendeu que para o país crescer de maneira consistente era fundamental reduzir a taxa básica de juros, a ponto de aproximá-la das taxas internacionais. De outro modo, o custo para financiar projetos de infraestrutura e novas fábricas geradoras de empregos eram inviáveis.

E para reduzir os juros, era necessário controlar os gastos do governo, o que ela vem fazendo parcialmente. Nesse quesito, o foco principal deve ser o controle dos gastos de custeio, isto é, dos gastos para manter a gigantesca e ineficiente máquina pública. É tarefa árdua, pois contraria interesses do funcionalismo e de alguns partidos políticos.

Além do controle fiscal, Dilma teve a coragem de mexer, em ano eleitoral, na rentabilidade da Caderneta de Poupança, principal destino dos recursos da população de classe média. Mexer na Poupança em ano eleitoral era mexer em um vespeiro, mas Dilma teve a coragem de fazê-lo e, pasmem, o povo aceitou e o assunto esgotou-se em 3 dias!

E ela teve o apoio popular, porque dias antes de mexer no rendimento da Poupança, ela bancou a briga com os principais bancos do país (Itaú, Bradesco e Santander) pela queda dos spreads bancários (a diferença entre o que o banco nos paga pelas nossas aplicações e aquilo que nos cobra pelos empréstimos). E para bancar essa briga de titãs, Dilma utilizou, sabiamente, os bancos públicos. Reduziu os juros cobrados pelo Banco do Brasil e pela Caixa Econômica Federal, obrigando os bancos privados a fazerem o mesmo sob a pena de perderem clientes e participações de mercado.

Dessa forma, a população viu o governo brigar com os grandes bancos e aceitou dar a sua parcela de contribuição, abrir mão de algum rendimento da Poupança, mesmo quando isso os afeta diretamente.

Para socorrer a Indústria, Dilma permitiu que o Banco Central e o Tesouro desvalorizassem o real (que saiu de 1,70 e alcançou os 2,00), fazendo com que aumentasse a competitividade dos nossos produtos exportados e encarecendo os importados. É uma medida que pode ser inflacionária, dependendo da evolução da crise mundial, mas que socorre, com urgência, o estado terminal da indústria nacional e preserva empregos.

Outro ponto favorável à presidente foi o discurso, em cadeia nacional, na noite de 30 de abril; quando ela defendeu a redução dos impostos sobre o consumo e sobre a folha de pagamentos das empresas. Ao fazer esse discurso e empunhar essas bandeiras, esvaziou completamente o discurso da oposição e ganhou o apoio de patrões e empregados.

Outros dois exemplos da sua maneira de governar foi, primeiro, a não interferência na instalação da “CPI do Cachoeira” no Congresso, demonstrando a boa vontade do governo no combate à corrupção, pelo menos nos casos públicos e emblemáticos. No passado recente, o governo colocava “panos quentes” e abafava qualquer tentativa de apurar fatos que pudessem atingir a sua imagem e popularidade.

O segundo exemplo, foi discurso em cadeia nacional do último domingo em comemoração ao Dia das Mães, gesto inédito na história brasileira. Dilma demonstrou um lado afetivo que humaniza o governante e o aproxima da população. Ganhou pontos com mães e filhos.

Fazendo o que precisa ser feito no controle dos gastos do governo e nas medidas econômicas; assumindo o discurso pela redução dos impostos; defendendo o emprego e o combate à corrupção, e ainda fazendo um “carinho” nas mães brasileiras, Dilma conquista apoio popular e se distancia da imagem da gestora ”dura de cintura”.

A presidente tem se saído muito melhor do que esperávamos e isso se reflete na sua elevadíssima taxa de aprovação pessoal (77%) na pesquisa divulgada em abril.

Se continuar assim, será imbatível em 2014.